Vinte e três de fevereiro de dois mil e dose, meia-noite e vinte, quinta-feira seguinte à quarta-feira de cinzas. Passei meu carnaval em casa, mas, diga-se de passagem, que talvez, talvez, tenha sido um dos melhores da minha vida. Esses dias foram meio que inesperados com direito a convites e conversas. Conversas essas que me fizeram ter vontade de escrever, o que não me ocorria há muito tempo, ao abrir o caderno veio-me aquele cheiro de coisa nova ao nariz, uma nostalgia, procurei lembrar-me da ultima vez que o senti, que escrevi,esforço em vão...
Algumas poucas horas atrás, conversava sobre ser ou não ser, bom ou mau, inocência, ingenuidade versus frieza, manipulação, insensibilidade. A questão nisso tudo é que tem gente por aí que faz questão de dizer que é anjo, quando na verdade é o satanás em pessoas e vice-versa. Sabe o que eu acho?! Eu acho que deveríamos parar de nos preocupar com os nomes que levamos e simplesmente “ser”, tipo assim, quando eu falo em inocência não é ser retardado e acreditar piamente em tudo que lhe jogam na cara sem discernir certo e errado, mas em acreditar que as pessoas por piores que sejam, podem mostrar, fazer, lhe proporcionar algo bom. Costumo acreditar, também, que a ingenuidade caminha lado a lado, de mãos dadas com a tal inocência, e é essa tal ingenuidade que nos dar o poder de sonhar e ter esperanças de um mundo melhor, de pessoas verdadeiras e boas, de se permitir confiar no próximo. Claro que na maioria das vezes tudo isso é besteira, falação e “mimimi”, mas às vezes a ingenuidade e inocência conseguem acertar, mesmo que por um curto espaço tempo, mas acertam, e algumas pessoas, sortudas, por assim dizer, têm o prazer de acertar uma única vez que durará pra sempre.
Perder isso, é como matar todo o sentimento que uma pessoa pode ter, é torna pedra o coração, é mudar para o frio, insensível, inatingível, manipulador. Só isso, ah meu amigo, isso não é pra qualquer um não. É muito fácil abrir a boca e dizer “Não vou me machucar, tenho tudo sob controle” hahahaha tem porra nenhuma! O único jeito se ter controle sobre alguma coisa é não se importando com as outras partes envolvidas, é ligar o “to nem aí” e o “eu quero mais é que se foda”, é ignorar o outro e ser egoísta, manipular tudo para que fique do seu jeito, para que você, só você, seja o único a se dar bem, para que você fique exatamente onde quer ta, sem se preocupar por cima de quem irá passar, quem irá prejudicar. Daí sim, se conseguires tudo isso sem um pingo de remorso, eu direi que você é E.S.C.R.O.T.O., que você é ruim, o pior dos seres, e desejarei sorte a quem tiver que cruzar o teu caminho.
Daí que parei e pensei: “que merda eu to falando aqui?! Deve ser perfeito ter um mundo exatamente como a gente quer, ter um mundo feito sob medida pra nós mesmo, né não?!”, mas é não, porque a perfeição é monótona, e a monotonia é chata, entediante. E nós, como seres em evolução temos a necessidade constante de mudança, de conhecer lugares, pessoas, de mudar de ares de vem em quando, sem deixar pra trás aqueles que realmente nos importa. Eu tenho uma terrível mania de analisar tudo que acontece ao meu redor, de querer meter o bedelho em tudo, mas eu sei o risco que corro e é por isso que uso e abuso da sinceridade, às vezes até demais, mas isso é outro assunto, não vamos perder o foco. A questão é que eu quero mais é ser boba, ingênua e inocente, quero ser chamada de lesa, de louca, descontrolada, quero poder errar com meus amigos e poder e pedir desculpas e ser perdoada, quero brigar e quero que briguem comigo e o que eu não quero é ignorar quem ta perto, passar por cima de apegos e afeições, ser pré potente e achar que o mundo ta aí só pra mim.
Quero simplesmente ser, sem me preocupar com o que virá ou com o que vão achar, e acredito cegamente que o mundo seria bem melhor se todos pudessem ser assim.